Joana Cardozo, Blueprints, Blueprint Eight

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Joana Cardozo, Blueprints, Blueprint Five

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Joana Cardozo, Blueprints, Blueprint Four

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Joana Cardozo, Blueprints, Blueprint Nine

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Joana Cardozo Blueprints Blueprintone

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Joana Cardozo, Blueprints, Blueprint Seven

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Joana Cardozo, Blueprints, Blueprint Six

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Joana Cardozo, Blueprints, Blueprint Three

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Joana Cardozo, Blueprints, Blueprint Two

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JOANA P. CARDOZO

Um mudo piano, pratos de bateria espalhados pela sala de música, oito chapéus entulhados no minúsculo quarto, sapatos de salto alto no armário, coloridos óculos estilo John Lennon, flores mortas e desbotadas ainda destilando um doce perfume, brinquedos lutando uns contra os outros no porão, crucifixos, velas em formato de frutas, fumaça, incenso, rendas e santos. “Blueprints” gravita ao redor da ideia de que nossa casa é nosso reflexo. Ao invés de retratos fotográficos convencionais, nesse trabalho, revelo a personalidade de meus fotografados, utilizando o conteúdo de suas casas. “Blueprints” podem se assemelhar a plantas arquitetônicas, no entanto, eles são na verdade, uma forma inusitada de retratos. Como um espelho, a casa reflete a identidade de seus moradores. Eu entro e vejo o reflexo do anfitrião e também um fragmento de mim mesma. Todo e qualquer objeto que encontro na casa de um retratado, posteriormente colocado entre as linhas divisórias de meus “Blueprints”, oferece uma dica acerca da personalidade e caraterística da pessoa ali retratada. A forma pela qual o conteúdo da casa está organizada me revela, em um sussurro, se a pessoa é organizada, caótica, romântica, divorciada; tudo o que imagino saber. Com minha câmera, escrevo em uma única página a biografia de meu retratado. Eu entro. Eu escolho objetos. Eu removo o objeto de seu lugar. Eu coloco o objeto em frente a uma fonte de luz. Eu crio uma sombra, meu novo objeto. Eu fotografo tal criação. Eu coloco o objeto de volta em seu lugar. A sombra se esvai. É agora uma foto. A escolha de um item especifico é minha forma de ilustrar aspectos da vida da pessoa retratada ao meu bel-prazer. Eu exponho para o expectador minha percepção da pessoa retratada. Tal exposição não é precisa nem translúcida, mas nebulosa, difícil de interpretar, tais como retratos. Diane Arbus uma vez teria dito: “Ver o conteúdo do banheiro de determinada pessoa é como ler a sua biografia.” “Blueprints” não retrata rostos, mãos, ou aparências—de qualquer forma, eles são o reflexo de cada pessoa. Eles são a projeção revertida, o negativo do original. É, de fato, como ler uma biografia, mas de fora para dentro.