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JOSÉ ROBERTO BASSUL

Contemporâneo da epopeia modernista de Brasília, o movimento concretista destacava-se no ambiente artístico brasileiro. Sua essência era uma estética abstrata e geométrica, isenta de representações. Ainda que tenham percorrido caminhos paralelos, o urbanismo de Lúcio Costa e o concretismo de distintas vertentes encontram-se na linguagem estética que o observador percebe ao percorrer com atenção os espaços abertos da Capital. Ao afastar-se da conhecida iconografia dos monumentos de Brasília e encontrar signos e recortes visuais que reconfiguram no espaço urbano a estética concretista, o ensaio “Paisagem Concretista” celebra esta afinidade. Nestas imagens, estão presentes tanto a racionalidade objetiva dos concretistas paulistas quanto na experimentação subjetiva dos neoconcretistas cariocas. A dinâmica dos elementos formais, a expressividade dos planos e os ritmos lineares e espirais dos concretistas podem ser sintetizados na própria superquadra, percebida aqui como um labirinto penetrável de Hélio Oiticica. “Paisagem Concretista”, em síntese, é um convite ao olhar.

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